Hoje eu ia escrever que completamos mais um mês de namoro, mas prefiro falar de como tenho andado feliz ultimamente. Depois dos problemas que tive, que já foram solucionados remendados. Agora estou confiante, acreditando que realmente tudo vai dar certo.
Estou me permitindo sonhar, e pior (ou melhor) acreditando nos meus sonhos. Não tenho tudo que gostaria, mas tenho o suficiente pra me sentir abençoada e feliz com isso.
Minha casa é de madeira? E daí. Minha mãe morou por cinco anos em uma casinha de madeira velha com cinco filhos e nenhum de nós morremos. Estamos todos aqui criados.
Minha geladeira é velha e tá pifando? Fico feliz em ter uma geladeira, porque a minha mãe passou cerca de dois anos sem nenhuma geladeira, e quando finalmente comprou uma, foi uma bem pior que a que eu tenho hoje e ficou feliz com ela por uns 3 ou 4 anos.
Meus móveis são usados (velhinhos)? Não faz mal. O que importa é que estejam limpinhos e bem arrumadinhos. Por que eu sou pobre mais sou limpinha!
Não tenho roupas caras? Não importa. Quantas pessoas não têm nem o que vestir? Certamente essas pessoas ficariam muito felizes em ter uma das minhas velhas calças jeans e iam achar a coisa mais linda do mundo.
Nossa, eu poderia ficar horas e horas e horas discorrendo sobre o pouco que tenho, mas que se torna tanto em comparação ao nada que muita gente tem. Só pra exemplificar: Antes, quando não tínhamos TV em casa, eu não sentia falta dela. Porque agora eu sinto? Antes, quando eu não tinha microondas, eu sabia viver sem ele. Porque agora ele é imprescindível? Antes, quando a gente tomava café preto todos os dias, eu vivia bem. Porque agora não vivo sem leite e não tomo café preto. Antes, quando comíamos carne uma vez por semana, eu comia bem só arroz e feijão. Porque agora tenho que ter um banquete todos os dias na minha mesa, ou me estresso em comer ovo frito vez ou outra?
Como temos memória curta quando o assunto é nosso passado cheio de dificuldades. Eu mal consigo me lembrar da sensação de não ter luz em casa…. e olha que ficamos alguns meses à luz de velas até minha mãe conseguir um gato de luz pra gente. Agora fiquei pensando: será que essa é uma tentativa de esquecer o passado ou de renegá-lo? Quem olha pra mim hoje não diz que eu tive uma infância muito pobre e que eu fui a única dos filhos de minha mãe que consegui estudar; também não diz que eu ganhava material escolar do governo e de alguns amiguinhos mais ricos (eu sempre reaproveitava mochilas, roupas e sapatos de alguém); nem pode imaginar que eu consegui estudar na Tupy com bolsa total (ganhava tudo, inclusive alimentação e vale transporte) porque não teria condições nem de ir até aquela escola chique, muito menos de estudar lá.
Esse post não é pra ninguém ter pena de mim, não preciso disso e nem quero. Esse post é pra eu relembrar, quantas dificuldades já passei. E se estou aqui, é porque sou forte e consegui driblar os obstáculos. E se eu consegui, todo mundo consegue. Basta querer. E acreditar. Eu sou pobre, mato um leão por dia, mas não posso reclamar. Já passei por muita coisa nesta vida. E tenho ainda muito o que passar. E tenho orgulho da minha trajetória. E trabalho pra melhorar sempre como pessoa pra que meu filho possa dizer que a mamãe dele lutou pra mudar de vida. E eu vou mudar.
P.S.: a creche não emendou o feriadão, também pudera, depois de ficar uma semana fechada por causa do temporal da Páscoa.
6 Comentários
Abril 30, 2007 às 4:59 pm
É isso aí Rose, arrasou no seu post. E vc sabe que sempre que eu fico irritada c/ essas coisinhas do dia a dia, qd chego no trabalho e olho o noticiário levo um tapa na cara bem dado c/ os problemas dos outros e aí que me dou conta que mais uma vez estou reclamando de barriga cheia. Vc tem toda razão em tudo que disse.
Beijos
Rê, é uma coisa a se pensar. Eu me sinto menos egoísta em admitir que tem gente pior que eu, sempre vai ter.
Abril 30, 2007 às 7:05 pm
Rose, meu pai tem uma casa de madeira que foi o nosso sonho. Escolhemos assim e achamos a coisa mais linda do mundo. Olha como tudo pode ser visto de maneiras diferentes…
Beijo
Pois é Letícia, eu acho a minha casinha a coisa mais lindinha do mundo! Beijo.
Maio 1, 2007 às 12:59 am
E eu tenho orgulho de ser sua amiga!
Adorei esse post!
Obrigada, Vanessa. Eu gosto muito de ser sua amiga também!
Maio 2, 2007 às 3:16 pm
Oi, amiga!
Sabe, eu também tenho o hábito de olhar para trás, nas horas difíceis, apenas para ver o quanto sou forte e como poucas coisas puderam me dar uma rasteira ao longo da minha história.
Fico feliz com a sua sobriedade e a vontade de ir em frente, independente do que role!
Beijos enooooormes e xodadis!
Chris, foi olhando pra trás que descobri que sou forte, que não sou mais uma menininha insegura e boba. E eu vou em frente, sim! Beijos…
Maio 2, 2007 às 11:03 pm
É verdade Rose,não devemos jamais esquecer nossas raízes de como foi difícil e é dificil conseguir vencer na vida, é uma ótima lição para nossos filhos!!
Beijos e que Deus esteja sempre na sua linda família.
Dani, é pelo meu filho que sou forte. Pra que ele tenha orgulho de mim um dia. Beijos.
Maio 11, 2007 às 12:30 pm
Rose, li seus últimos posts e devo dizer que te achei uma fortaleza. Meu marido tb teve uma infância super difícil e isso não o impediu de nada, pelo contrário, deu forças pra ele seguir adiante e provar que pode um monte de coisas. Te vejo desse jeito também e te admiro muito. O André com certeza está tendo ótimos exemplos e certamente será um grande homem! Beijos